
Uma tarde dedicada aos projetos de reurbanização de assentamentos informais do Rio de Janeiro, Medellín (Colômbia) e experiências realizadas no México. Nos exemplos apresentados pelos especialistas foram abordadas questões de mobilidade urbana, necessidade de inserção de espaços verdes nas favelas, projetos urbanos voltados às pessoas e, sobretudo, a integração daqueles que vivem à margem da cidade formal.
“O quanto queremos de carros, bicicletas, automóveis, motos, transporte público e como integrá-los as favelas? Precisamos ter em mente essas questões para poder planejar a intervenção urbanística e de mobilidade que faremos nos assentamentos”, alertou o diretor-adjunto do CTS-México, da Rede EMBARQ, Salvador Herrera, na palestra "Critérios para seleção de alternativas de mobilidade".
O especialista com experiência em desenvolvimento e planejamento urbano no México, Estados Unidos e Espanha, abriu o ciclo de palestras da tarde do workshop Inserção do Transporte Sustentável no Morar Carioca, apresentando exemplos de soluções em transporte em diversas cidades.
O segundo palestrante, Carlos Mario Rodríguez, do escritório Arquitectos Urbanistas, da Colômbia, apresentou o sistema de transporte de Medellín, ressaltando sua abrangência. O sistema solucionou o problema de mobilidade dos moradores da cidade e região metropolitana, incluindo parte da população e servindo como instrumento de equidade social.
Na palestra “Medellín: mobilidade como instrumento de equidade”, Rodríguez destacou três pontos comuns de projetos de reurbanização e mobilidade. “Os problemas daqui são os mesmos que vejo em outros países. Precisamos de vontade política, temos equipes multidisciplinares nos projetos e, para qualquer mudança, é preciso o envolvimento dos cidadãos”.
Projetos desenvolvidos em assentamentos informais do Rio de Janeiro foram apresentados pelos arquitetos Jorge Mario Jáuregui, do Atelier Metropolitano, e Fernanda Salles, do escritório Fernanda Salles Arquitetura.

Especialista no conflito entre a cidade formal e informal, Jáuregui mostrou o projeto desenvolvido por ele para o Complexo do Alemão, previsto para estar concluído em 2012. A proposta trabalhada pelo arquiteto valorizou equipamentos públicos voltados ao bem-estar social e à inserção de espaços verdes. “A necessidade de introdução do verde é o que chamamos a atenção das equipes do Morar Carioca. Por vários aspectos: ecológico, bem-estar, conforto. Uma das características das favelas é a falta de espaços verdes”.
O Morro Santa Marta e o teleférico instalado na comunidade foram os temas tratados por Fernanda Salles. “O teleférico tem extensão aproximada de 800 metros. Ele transporta cerca de mil pessoas por viagem (ida e volta) e a meta é transportar três mil pessoas por percurso.
A tarde foi encerrada com debate entre especialistas e participantes mediado pelo vice-presidente do IAB-RJ, Pedro da Luz. O workshop segue amanhã, na sede do Instituto de Arquitetos do Brasil RJ (IAB-RJ), a partir das 9h.